O tempo passa, a verdade fica, a realidade se transforma, os conceitos mudam, as oportunidades aparecem com mais facilidade, os desejos ficam mais acessíveis, os sonhos menos impossíveis, os argumentos menos estáveis, tudo muda ou recicla, mas uma coisa não muda, a essência pura e honesta de cada um, pois com ela conseguimos tudo na vida com muito, mas com muito mais facilidade mesmo. Essa pode não ser a verdade da vida moderna, mas com certeza é a nossa verdade e é o que realmente importa para nós e para a nossa existência!

Os benefícios do perdão

Se deixarmos a mágoa entrar em nossos corações pelas portas da frente, a felicidade sai pelas portas dos fundos!
Perdoar sempre é prova de sabedoria. É uma atitude nobre e ao mesmo tempo profilática, pois, ao perdoar aqueles que erroneamente denominamos nossos inimigos, estamos nos poupando de sérias complicações de saúde e, ao mesmo tempo, consolidando a alegria de viver em paz com a vida e com todos à nossa volta. Automaticamente, com essa atitude, tornamo-nos mais simpáticos, mais alegres e mais otimistas, aptos a desfrutarmos do sucesso em todas as nossas manifestações.
Quando adotamos o perdão em nossos corações, estamos nos desvinculando da faixa vibratória por onde transitam as emanações mentais de inteligências voltadas para o mal; conseqüentemente, adquirimos a paz. Este é o primeiro de uma série de benefícios que a atitude do perdão nos proporciona.
Alcançamos a paz porque nos desassociamos dos pensamentos de mágoa e de rancor, impedindo que os dardos mentais envenenados, daqueles que nos magoaram, continuem nos atingindo. Com essa atitude, criamos um mundo novo dentro de nós, onde o nosso coração se transforma no guardião dos nossos pensamentos, ampliando a nossa felicidade.
Quem pensa bem e age bem, vive bem!
Se vivermos constantemente apontando as escabrosidades do mundo, sem procurar compreendê-las, estaremos nos associando mentalmente aos acontecimentos infelizes e, amanhã, poderemos nos tornar suas vítimas.
Nós somos o que pensamos e irradiamos à nossa volta exatamente o que sentimos. Todos os que se aproximam de nós são envolvidos por essa energia que emana dos nossos sentimentos e, com certeza, através dela, atrairemos para o nosso convívio todos aqueles cujos pensamentos se associam aos nossos, ou seja, os nossos afins, os que pensam e sentem como nós, encarnados e desencarnados. Então eu direi: "Diga-me o que pensas e sentes e eu te direi com quem andas!"
Aprimorar nossas atitudes, nossos pensamentos e sentimentos é uma maneira inteligente e de certa forma científica de nos libertarmos do ciclo vicioso do sofrimento. Felizes são aqueles que já acordaram e estão em luta constante em busca desse aprimoramento! Estes já estão a caminho da verdadeira felicidade. Ao passo que, aqueles que ainda se vinculam ao sentimento de mágoa e de ódio, caminham para sofrimentos e provações morais que, mais tarde, refletir-se-ão no corpo físico, provocando sérios danos à saúde.
Mesmo quando somos caluniados e feridos injustamente, é de bom alvitre optarmos pelo perdão. Entretanto, perdoar não significa conviver ou acarinhar aqueles que se fizeram nossos adversários; é uma postura íntima que devemos assumir compreendendo a ignorância daqueles que ainda não alcançaram o grau da nossa compreensão. É como perdoar as crianças pelas suas traquinagens próprias da infância.

Encontraremos forças para assumir essa atitude na sábia rogativa do Mestre, proferida nos momentos finais do seu sacrifício:
"Pai, perdoai-os; eles não sabem o que fazem".
Realmente, aqueles que tomam atitudes contrárias à felicidade de alguém, por inveja ou por ciúmes, ou por qualquer outro motivo, é vítima da própria ignorância; não sabem que, com esse comportamento, semeiam a própria infelicidade. Só se tornarão suas vítimas, aqueles que vibram na mesma faixa de ignorância.

O perdão é um processo mental ou espiritual de cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa ou contra si mesmo, decorrente de uma ofensa percebida, diferenças, erros ou fracassos, ou cessar a exigência de castigo ou restituição.
O perdão pode ser considerado simplesmente em termos dos sentimentos da pessoa que perdoa, ou em termos do relacionamento entre o que perdoa e a pessoa perdoada. É normalmente concedido sem qualquer expectativa de compensação, e pode ocorrer sem que o perdoado tome conhecimento (por exemplo, uma pessoa pode perdoar outra pessoa que está morta ou que não se vê há muito tempo). Em outros casos, o perdão pode vir através da oferta de alguma forma de desculpa ou restituição, ou mesmo um justo pedido de perdão, dirigido ao ofendido, por acreditar que ele é capaz de perdoar.
O perdão é o esquecimento completo e absoluto das ofensas, vem do coração, é sincero, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes tampouco é motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras.
Existem religiões que incluem disciplinas sobre a natureza do perdão, e muitas destas disciplinas fornecem uma base subjacente para as várias teorias modernas e práticas de perdão.
Exemplo de ensino do perdão está na "parábola do Filho Pródigo" (Lucas 15:11–32).
Normalmente as doutrinas de cunho religioso trabalham o perdão sob duas óticas diferentes, que são:
Uma ênfase maior na necessidade das faltas dos seres humanos serem perdoadas por Deus;

Uma ênfase maior na necessidade dos seres humanos praticarem o perdão entre si, como pré-requisito para o aprimoramento espiritual.

Perdoar é uma das atitudes mais difíceis na vida de milhares de pessoas. O fato de alguém pedir perdão a outrem equivale a dizer que reconhece seu erro e sua culpa, por isso, vai ao encontro de quem foi, efetivamente, atingido por sentimentos, palavras e atos que feriram a sua dignidade. O fato de alguém perdoar significa dizer que reconhece sinceridade no arrependimento daquele que vai ao seu encontro, com a disposição de mudar de atitude.

A Revista Veja, tem como “matéria de capa” o perdão, mais precisamente, “O poder do perdão”. Não deixa de ser, deveras, significativo o fato de estarem a ciência e a mídia tratando de um assunto que, por certo, na mente da maioria das pessoas tinha lugar apenas no mundo das religiões e na prática de seus seguidores. O enfoque desse assunto na relação interpessoal e institucional, numa visão psicológica, filosófica, sociológica e política, com sua referência à face do perdão, biblicamente revelada, representa uma contribuição muito especial para a compreensão da necessidade de superação das linhas cruzadas e da eliminação das rupturas que se estabeleceram nas relações humanas, por numerosos motivos. Na matéria, encontram-se depoimentos de pessoas, empresários e governantes que tiveram a capacidade de perdoar ou se mantiveram fechados em relação ao perdão. Segundo um professor da Universidade de Boston, o pedido de perdão contém “três passos básicos par obter perdão. Primeiro, deve-se assumir a responsabilidade pelo erro. Segundo, é preciso repudiar claramente esse erro, mostrando que não se pretende repeti-lo. Terceiro, deve-se exprimir o arrependimento pela dor causada ao próximo.” O que é hoje descoberta da pesquisa e conquista da ciência, o Catecismo da Igreja já o proclama, há milênios, ao apresentar as exigências para que o fiel, ao recorrer ao Sacramento da Penitência, obtenha o perdão dos pecados cometidos contra Deus e contra o próximo. Com efeito, para que esse Sacramento produza seus efeitos, exigem-se atitudes que levem o penitente à mudança de vida e à reconciliação: Contrição (reconhecimento dos pecados); Confissão (revelação, perante o confessor, desses pecados, “por pensamentos, palavras e obras”); Absolvição (recepção da perdão dos pecados confessados); Satisfação (reparação dos pecados cometidos, não os repetindo, deliberadamente). Como penitência, o confessor impõe uma pena ao penitente, correspondente, “na medida do possível, à gravidade e à natureza dos pecados cometidos.”

Segundo Dom Genival Saraiva,

No plano psico-religioso, o perdão é um ato muito benéfico, sob vários aspectos, como confirma a voz da experiência de cada um. Um desses aspectos é a paz da consciência. O relacionamento entre pessoas, grupos e nações fica ameaçado quando determinados sentimentos, palavras e atitudes ferem o seu direito. Quando isso acontece, criam-se estremecimentos no relacionamento humano que, em muitos casos, rompem fortes vínculos de consanguinidade e sólidos laços de amizade. O perdão é sempre muito benéfico para as pessoas que conseguem refazer sua história, não apenas porque minimizam a razão do distanciamento que se criou na convivência familiar e no relacionamento social, mas, antes, porque dão um passo de qualidade, ao cancelá-la de seu coração e de sua mente. A psicologia e a espiritualidade identificam os benefícios do perdão na vida das pessoas. A melhor linguagem dessa experiência é testemunhada por aquelas pessoas que conseguiram perdoar-se, mutuamente.
Para muitos, o perdão é benéfico, por ser uma conquista humana; para os cristãos, além dessa dimensão, está muito clara a exigência que Jesus colocou na oração do Pai Nosso: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”

Segundo Pr. Paulo César da Silva,

“e, perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;” (Mt.6:12).

Jesus, em outras palavras está dizendo que é muito melhor perdoar dívidas, do que cobrá-las acrescida da taxa de vingança. È melhor perdoar faltas, do que exigir pagamento com os juros da ira. É melhor perdoar erros, do que recebê-los com a correção da raiz de amargura. Seja um perdoador e desfrute destes e outros benefícios do perdão.
1º.- Reciprocidade no perdão. Não se engane, Deus perdoa somente aquele que já perdoou. Deus não tem compromisso de perdoar quem está com o coração em fel de amargura. Primeiro temos que perdoar, depois somos perdoados por Deus. Ele deu o exemplo, como ser espiritual enviou Jesus
para morrer pelos carnais. Se você é espiritual como diz ser, você perdoa, porque perdoar é um dos atos que mais nos torna parecidos com Deus, afinal Deus perdoou seres que nada tinham em comum com ele. (2 Co.5:17-19)
2º.- Proximidade de Deus. Deus sempre está presente no seu próximo (Mt.28:20; Jo.14:16-17), portanto proximidade de Deus implica em estar mais que próximo, é estar dentro do coração do outro. Distanciar-se do próximo é distanciar-se de Deus. O profeta Isaías exortou veementemente a Israel que tinha o hábito de jejuar pão e água, cultuar com sacrifícios de animais, mas que abrigava conflitos relacionais. Deus enojado do formalismo cúltico expressou, “Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade…? … e não te escondas do teu semelhante?” (Is.58:6-7). Virar ou esconder o rosto do próximo é dar direito a Deus de fazer o mesmo com você.
3º.- Perdoar é saúde para a alma. O maior beneficiado com o perdão não é quem o recebe mas quem o concede. A alma fica livre, não é prisioneira de quem a feriu. Quem não perdoa, acorda, toma as refeições e dorme com o ofensor, é escravo dele. Quem perdoa tem mais saúde na alma, tem alma sempre limpa que não aceita ficar imunda, é sempre nova, pois recebe a graça diariamente.
4º.- Perdoar é mais barato. Se os princípios espirituais do perdão não te movem a ele, talvez os valores monetários te sensibilizem a praticá-lo. Pesquisas indicam que mais de 60% de enfermidades emocionais e muitas de natureza física nas pessoas, são conseqüências de um coração amargurado, que não perdoou. Quem perdoa deixa de comprar antidepressivos, deixa de gastar com terapeutas, deixa de gastar seu tempo e de outros com horas de conversa. Quem perdoa economiza dinheiro e tempo, e age como Deus agiu, vai imediatamente em busca do relacionamento que foi rompido, (Gn.3:8). Perdoar é mais barato.

Muitas vezes não perdoamos porque acreditamos que o perdão contribui para a injustiça. Quem causa dano não merece perdão, pensamos. Se perdoarmos, voltarão a nos ferir, vão se aproveitar da “nossa nobreza”. Às vezes, o desgosto com os prejuízos e as ofensas não se reduz nem com o passar do tempo. Podemos ficar enfurecidos com nossos pais pelos erros cometidos durante a nossa infância, com quem já abusou da nossa boa-fé, com aquela cunhada que nos chamou de “gorda” (ou assim deu a entender) num Natal há dez anos.

Não perdoamos ninguém. Nem sequer a nós mesmos.

Guardamos a ferida dentro da alma como um tesouro precioso, para tirá-la da memória de vez em quando e fitá-la, absortos, como se fosse um álbum de fotografias, uma jóia de vitrine. Nesse momento, passamos outra vez pela mente o filme triste do episódio imperdoável e o revivemos. O desgosto com o passado se alimenta de grandes porções do presente. Eis aí o rancor.

Mas, na verdade...
... por que valeria a pena perdoar?
Só por uma questão religiosa, por puro altruísmo? Em um mundo tão absolutamente cruel em tantas ocasiões, há alguma questão que seja impossível de desculpar?
As informações a respeito disso são ricas e variadas. Os especialistas se dedicaram a estudar cientificamente o perdão e descobriram alguns fatos bastante surpreendentes.
Para conhecer e dominar o perdão, primeiro temos de saber de que “matéria” ele é composto, o que é verdadeiramente e o que não faz parte desse sentimento transformador.

Segundo Ágata Székely
Do que é feito o perdão
Fred Luskin é conselheiro, psicólogo da saúde e diretor do Projeto do Perdão, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Em seu guia O poder do perdão, que reúne casos e estudos tirados desse programa, Luskin explica que os problemas não solucionados são como aviões que voam dias e semanas sem parar e sem pousar, consumindo recursos que podem ser necessários em caso de emergência. “Os aviões do rancor se convertem em fonte de estresse e, muitas vezes, o resultado é um choque”, afirma Luskin. “Perdoar é a tranquilidade que se sente quando os aviões pousam.”

O especialista explica que perdão não é aceitar a crueldade, esquecer que algo doloroso aconteceu nem aceitar o mau comportamento. Também não significa reconciliar-se com o agressor. “O perdão é para nós, não para quem nos ofendeu”, diz Luskin. “Aprendemos a perdoar como aprendemos a chutar uma bola. Minha pesquisa sobre o perdão demonstra que todos têm a capacidade de se incomodar, mas a usam sabiamente. Não desperdiçam energia valiosa enredando-se em fúria e dor quando nada se pode fazer. Ao perdoar, admitimos que nada se pode fazer pelo passado, e isso permite que nos libertemos dele. Perdoar ajuda os aviões a pousar para que sejam feitos os ajustes necessários.”
Segundo Luskin, o perdão serve para relaxarmos e não significa que o agressor “se dê bem”, nem que aceitamos algo injusto. Ao contrário, significa não sofrer eternamente pela ofensa ou pela agressão.
Mas, e se a agressão tiver sido grave demais?

A lição de Kim

Era 8 de novembro de 1972, durante a guerra do Vietnã. A família de Kim Phuc tentou proteger-se num templo próximo quando ouviu o barulho dos aviões americanos. Mas o refúgio não foi suficiente contra as bombas de napalm que caíam do céu, e tudo explodiu em chamas.

Nick Ut, correspondente da agência de notícias Associated Press, tirou nesse momento a foto tristemente famosa que percorreu o mundo todo. Ali estava Kim, aos 9 anos, nua e em prantos, com grande parte do corpo coberta de queimaduras de terceiro grau. Apesar disso, a menina sobreviveu. Passou por 17 cirurgias e, depois de ser usada durante anos como símbolo da resistência do seu país, pediu asilo no Canadá. Mas o notável de sua história é que Kim perdoou o capitão John Plummer, oficial que ordenou o bombardeio de sua aldeia.
Em El don de arder [O dom de queimar], Kim conta à jornalista Ima Sanchís que, ao encontrar-se com o militar num evento, não o esbofeteou; preferiu abraçá-lo: “A guerra faz com que todos sejamos vítimas. Eu, quando menina, fui vítima, mas ele, que fazia o seu trabalho de soldado, também foi. Tenho dores físicas, mas ele tem dores emocionais, que são piores do que as minhas.”
Kim capitalizou suas antigas feridas de forma positiva. Hoje, viaja pelo mundo em campanha pela paz e é presidente da Fundação Kim Internacional, dedicada a dar assistência a vítimas de conflitos armados.

Mas qual o segredo para agir com tanta integridade moral?
Resiliência, a palavra mágica
Boris Cyrulnik sofreu com a morte dos pais num campo de concentração nazista, do qual conseguiu fugir quando tinha apenas 6 anos. Depois que a guerra acabou, ele ficou vagando de um campo a outro até chegar a uma fazenda controlada por uma instituição de caridade. Durante sua permanência, os vizinhos lhe ensinaram o amor pela vida e pela literatura. Mais tarde, ele decidiu ser médico e estudar os mecanismos da sobrevivência. Hoje é psiquiatra, neurologista, escritor, psicanalista e especialista em resiliência, um conceito psicológico que define a capacidade de superar as adversidades e ser forte durante as crises. “A resiliência é o antidestino”, diz Boris. “Dá trabalho, não é fácil, mas é um espaço de liberdade interior que permite não se submeter às feridas.”

Quem consegue superar tragédias ou sair de períodos difíceis de dor emocional pode abandonar o papel de vítima e começar uma vida nova, como Boris e Kim. Você já se perguntou por que algumas pessoas, oprimidas pelo desamparo na infância, caem na delinquência e se tornam agentes de agressão, ao passo que outras se recuperam, tornam-se pessoas de bem e são felizes, fortes, prósperas e bem-sucedidas? A resposta é a resiliência e, para consegui-la, o perdão é um dos ingredientes necessários.
De acordo com a psicoterapeuta Rosa Argentina Rivas Lacayo, presidente da Associação Latino-americana de Desenvolvimento Humano e da Associação de Orientação Holística do México, “sem perdão não podemos crescer nem ficar mais fortes com a adversidade. Também não conseguiremos ser flexíveis e resilientes. Algumas pessoas ‘cozinham’ a dor em fogo brando para mostrar ao mundo como foram maltratadas, e não querem perceber que assim se prejudicam. Ao mundo, não interessa o nosso passado, só o que somos capazes de fazer e dar agora. Quando nos apegamos à dor antiga, a autocomiseração embota a capacidade de dar e, quando assumimos o papel de mártires, ficamos à espera de que alguém resolva milagrosamente a nossa vida.”

Para Rivas Lacayo, o perdão nos aju­da a reconhecer e admitir que somos frágeis e que não precisamos esconder essa fragilidade. Quando nos tornamos conscientes dos nossos limites, evitamos que a experiência se repita.
Não é pouco, porém há mais: e se houvesse...
...provas científicas da utilidade do perdão?
O perdão, proteção contra as doenças

Além da saúde espiritual, existem várias provas de que deixar para trás a hostilidade protege a saúde física. E não é metáfora nem “modo de dizer”. Um estudo chamado Perdão e Saúde Física, realizado pela Universidade do Wisconsin, mostrou que aprender a perdoar pode ajudar indivíduos de meia-idade a evitar doenças cardíacas. Nessa pesquisa, foi descoberto que, quanto maior a capacidade de perdoar, menos problemas nas artérias coronárias surgem no decorrer da vida. Por outro lado, quanto menor a capacidade de perdoar, mais frequentes os episódios de doenças cardiovasculares.
Em relação à recordação das feridas, eis aqui outra informação importante: uma pesquisa indicou que pensar cinco minutos em algo que provoca agitação, raiva ou desgosto pode diminuir a variabilidade da frequência cardíaca (VFC), parâmetro da saúde do sistema nervoso que mostra a flexibilidade do sistema cardiovascular.
Para enfrentar e reagir ao estresse em boas condições, o coração precisa de flexibilidade. O mesmo estudo mostrou que esses cinco minutos de pensamento negativo desaceleram a reação do sistema imunológico, que defende o organismo.

Os benefícios do perdão (tanto os que protegem o corpo quanto os que aliviam e “limpam” a alma) não se aplicam só aos outros, mas também a n&ooacute;s mesmos, quando, apesar dos erros e culpas, somos capazes de nos perdoar e deixar de nos sentir merecedores de castigo. Perdoar não é esquecer nem persistir no erro. É começar de novo, com a experiência adquirida, sem os rancores a sobrevoar e confundir as possibilidades do presente.
Assim como o amor, o perdão não é al­go que se “dê” ao outro, mas um pre­sente vital que damos a nós mesmos.

A CURA PELO PERDÃO

Pesquisas e estudos vêm comprovando os benefícios, tanto mentais quanto físicos, do ato de perdoar. Entrevistamos o Dr. Fred Luskin, autor de O Poder do Perdão, que estuda o assunto há mais de quatro anos.

Camilla Salmazi
Segundo o dicionário (Dicionário Michaelis) a palavra perdão significa “conceder perdão, absorver, remitir (culpa, dívida, pena, etc), desculpar e poupar-se”. Sim! O ato de perdoar envolve tudo isso e ainda muito mais. Pesquisas e estudos vêm sendo desenvolvidos nesses últimos anos para mostra e comprovar o poder e os benefícios do perdão.
Porém, não é justo dizer que somente agora o mundo está se dando conta do poder do perdão. No aspecto científico, talvez, mas crença e religiões já pregam a importância do perdão há muitos e muitos anos, principalmente como um ato importante para a saúde do espírito.

No ano passado, Charlotte Van Oyen Witvliet, professora de psicologia do Hope College, em Michigan, EUA, e seus colega, fizeram uma experiência com 71 voluntários. Nela, foi pedido a eles que se lembrassem de alguma ferida antiga, algo que os tivesse feito sofrer. Nesse instante, foi registrado o aumento da pressão sanguínea, dos batimentos cardíacos e da tensão muscular, reações idênticas às que ocorrem quando as pessoas sentem raiva. E quando foi pedido que eles se imaginasse entendendo e perdoando as pessoas que lhes haviam feito mal, eles se mostraram mais calmos, e com pressão e batimentos menores.
A questão principal, porém, é que o nato de perdoar não é uma das tarefas mais fáceis para nós, seres humanos. Tribos, sociedades, países, famílias e amigos já travaram e ainda travam batalhas, e verdadeiras guerras, por causa de diferenças entre as pessoas, ou devido a algum ato que desagradasse ou prejudicasse, espalhando pelo mundo ainda mais rancor e nem um pouco de paz. Mas o perdão não é impossível, nem mesmo nos casos mais graves, como vem tentando comprovar o Dr. Fred Luskin, autor de O Poder do Perdão e doutor em aconselhamento clínico e psicologia da saúde pela universidade de Stanford.

Após ter sido muito magoado por um grande amigo, Luskin conseguiu, sozinho, achar uma forma de perdoar-lhe, e quis investigar se a sua técnica funcionaria com outras pessoas em casos semelhantes ou em casos mais graves. E desde então, deu início a suas pesquisas.

EM 1999, ELE CRIOU O PROJETO DA UNIVERSIDADE DE STANFORD PARA O PERDÃO, tendo combinado em sua pesquisa dissertativa uma técnica psicoterapêutica, focando e emotividade racional, com alguns estudos sobre o impacto das emoções negativas, como raiva, magoa e ressentimento no sistema cardíaco.

Suas técnicas foram aplicadas em várias experiências, sendo uma delas com dois grupos de pessoas que foram atingidas pelos conflitos entre protestantes e católicos, na Irlanda: um grupo, de mães que tiveram seus filhos mortos; outro, de homens e mulheres que perderam algum parente. Para esse projeto, Luskin contou com a cooperação de Carl Thoreses, PhD em Psicologia, e contou com o apoio de uma militante irlandesa que há trinta anos trabalha pela paz em seu país.

Os participantes foram separados em grupos experimentais e supervisionados, e passaram seis semanas tendo aulas sobre as técnicas de perdão de Luskin. Os primeiros resultados, segundo Thoresen, indicaram que os participantes apresentavam redução do nível de estresse, viam-se menos irados e mais confiantes de que, no futuro, eles perdoariam mais e mais facilmente. Além disso, o estudo mostrou que o perdão pode promover uma melhora na saúde física, pois esse grupo de pessoas apresentou uma diminuição significante em sintomas como dores no peito, na coluna, náuseas, dores de cabeça, insônia e perda de apetite. Luskin e Thoresen afirmam que essa melhora psicológica e física persiste pelo menos por quatro meses; em alguns casos, ao longo desses quatro meses, a melhora continua a progredir.

Luskin descreve o perdão como sendo uma forma de se atingir a calma e a paz, tanto com o outro quanto consigo mesmo. A terapia que ele propõe encoraja as pessoas a terem maior responsabilidade sobre suas emoções e ações, e serem mais realistas sobre os desafios e quedas de suas vidas.

Em O Poder do Perdão, ele explica p processo de formação de uma mágoa e demonstra como tal fato possui um efeito paralisante na vida das pessoas, baseado suas afirmações em suas investigações e pesquisas, principalmente em seu Projeto da Universidade de Stanford para o Perdão. Por meio de nove etapas (ver Box), o autor ensina a sua técnica de perdão.

Nessa entrevista exclusiva para a Sexto sentido, Luskin apresenta suas idéias sobre o ato de perdoar, e tudo o que está envolvido nesse processo.

Como pode ser definido, de fato, o ato de perdoar?
É simples. Perdoar é a arte de fazer as pazes quando algo não acontece como queríamos. Dizermos que é fazer as pazes com a palavra NÃO.

O acúmulo de mágoas pode causar problemas físicos e psicológicos?
Claro... rancor e desesperança são particularmente perigosos para o bem-estar. A vida tem dificuldades freqüentes. Precisamos de um caminho para superá-las e, assim, nos libertarmos... é para isso que existe o perdão.

E o perdão pode ser considerado como uma cura para doença físicas e mentais advindas de problemas emocionais ou psicológicos?
O perdão reduz a agitação que leva a problemas físicos. Perdoar reduz o estresse que vem de pensar em algo doloroso, mas não pode ser mudado. Ele também limita a ruminação que leva a sentimento de impotência que reduzem a capacidade de alguém cuidar de si mesmo. O perdão é uma cura... às vezes. Ajuda? Sim, muitas vezes.

É possível que pessoas possa perdoar alguém, mesmo ainda estando irada ou magoada com ela?
A diminuição da ira e de mágoa vem de se vivenciar o perdão. O perdão é a experiência interior de se recuperar a paz e o bem-estar. Pode acontece de alguém perdoar um dia, e a raiva volta depois, e isso é normal. Dessa forma, o perdão é um processo que deve ser praticado. Se você permanece falando ou pensando com rancor de alguém, então o perdão ainda não aconteceu.

Existe um momento certo para dar início ao processo do perdão?
O momento é logo depois do tempo necessário para vivenciar a perda.

Se a pessoa perdoar, ela pode ficar com a sensação de que a pessoa perdoada estava com a razão, ou com a sensação de que um direito seu foi atingido. Como afastar ou ultrapassar essa idéia?
Às vezes, a pessoa foi realmente prejudicada. O perdão não elimina esse fato; apenas o torna menos importante. O perdão implica que se pode ficar em paz mesmo tendo sofrido um mal. Não podemos escapa de todos os males, faz a pessoa continuar intranqüila porque o problema ainda persiste. O perdão reconhece o mal, mas permite que o prejudicado leve a vida em frente. O perdão pode conviver com a justiça e não impede que se faça as coisas justas ou adequadas. Você apenas não as faz de uma perspectiva rancorosa ou transtornada.

Quando a pessoa se encontra num “processo” de perdoar alguém, pode acontecer dela perceber que ela mesma também tem culpa na situação e pode ter causado algum mal ao outro. Como ela deve agir num caso desses?
Muitas situações são complexas e não se pode simplesmente distinguir nelas uma pessoa boa e uma ruim, mas sim duas pessoas que criaram juntas uma situação difícil. É bom lembrar que o perdão pode ser estendido à própria pessoa e que, ás vezes, o perdão implica em reconciliar um relacionamento, e outras vezes, em abrir mão desse relacionamento.

Como a falta de perdão pode prejudicar as pessoas?
A ausência de perdão causa estresse sempre que se pensa em alguém que nos feriu e com quem não fizemos as pazes. Isso prejudica o corpo e provoca emoções negativas.

Como foi idealizado o Projeto do Perdão?
Eu fui seriamente magoado por um amigo próximo, e tive de encontrar sozinho uma forma de me recuperar. Quando consegui, resolvi verificar se isso funcionava com outras pessoas. Foi o começo do meu primeiro projeto de pesquisa.

Essas descobertas são universais, aplicáveis a todos os grupos de sociedades?
Até o momento, a pesquisa que eu e outros temos conduzido sugere que o perdão tem valor em dificuldades muito variadas; podem envolver esposas ou maridos que enganam maridos ou esposas, crianças que sofreram abuso, sócios fraudulento e até pessoas que tiveram seus filhos assassinados. Também trabalhamos com uma grande variedade de nacionalidade aqui em São Francisco e região e tivermos bons resultados.

Existem outros cientistas no mundo realizando o mesmo tipo de pesquisa?
Existem alguns que pesquisam o ensina do perdão, como nós. Outros pesquisam as características que tornam as pessoas mais propensas ao perdão, e outros tentam entender como o perdão pode ser benéfico à saúde.

OS NOVE PASSOS DO PERDÃO - Segundo o Dr. Fred Luskin

1. Saiba exatamente como você se sente sobre o que ocorreu e seja capaz de expressar o que há de errado na situação. Então, relate a sua experiência a umas duas pessoas de confiança.

2. Compromete-se consigo mesmo a fazer o que for preciso para se sentir melhor. O ato de perdoar é para você e ninguém mais. Ninguém mais precisa saber sua decisão.

3. Entenda seu objetivo. Perdoar não significa necessariamente reconciliar-se com a pessoa que o perturbou, nem se tornar cúmplice dela. O que você procura é paz.

4. Tenha uma perspectiva correta dos acontecimentos. Reconheça que o seu aborrecimento vem dos sentimentos negativos e desconforto físico de que você sofra agora, e não daquilo que o ofendeu ou agrediu dois minutos - ou dez anos - atrás.

5. No momento em que você se sentir aflito, pratique técnicas de controle de estresse para atenuar os mecanismo de seu corpo.

6. Desista de espera, de outras pessoas ou de sua vida, coisa que elas não escolheram dar a você. Reconheça as “regras não cobráveis” que você tem para sua saúde ou para o comportamento seu e dos outros. Lembre a si mesmo que você pode esperar saúde, amizade e prosperidade e se esforçar para consegui-los. Porém você sofrerá se exigir que essa coisa aconteçam quando você não tem o pode de fazê-las acontecer.

7. Coloque sua energia em tenta alcançar seus objetivos positivos por um meio que não seja através de experiência que o feriu. Em vez de reprisar mentalmente sua mágoa, procure outros caminhos para seus fins.

8. Lembre-se de que uma vida bem vivida é a sua melhor vingança. Em vez de se concentrar nas suas mágoas – o que daria poder sobre você à pessoa que o magoou – aprenda a busca o amor, a beleza e a bondade ao seu redor.

9. Modifique a sua história de ressentimento de forma que ela o lembre da escolha heróicas que é perdoar. Passe de vítima a herói na história que você contar.

Segundo a psicóloga Jiham Souki,
Uma das coisas mais difíceis na vida. Porém uma das mais necessárias é perdoar.
Desculpar não é tentar esquecer o que o outro lhe fez. É sim aceitar o outro como ele é,sem criar falsas expectativas de mudança.
Diversas pessoas afirmam que já esqueceu que o outro teve determinada atitude.
No entanto ficam em posição defensiva, com receio que aconteça novamente.
O que mais tendemos a fazer na vida é querer mudar a família, o chefe e assim por diante a lista é vasta.
Mas quando se adquire a compreensão de que o outro não muda conforme o nosso desejo, a calmaria se instala, porque as cobranças e diminuem.
Perdoar significa não se afetar com o comportamento alheio.
É impossível não nos afetarmos com os acontecimentos rotineiros. Somos humanos e essa condição nos proporciona estarmos em constante assimilação acerca dos acontecimentos da vida
É difícil agir dessa forma, mas o resultado que a mágoa traz por esperar algo que nunca vem do outro é muito mais arrasador.
Outro aspecto do perdão que talvez seja mais complicado ainda é se perdoar.
Tanto cobrar dos outros e de si mesmo é uma atitude que gera danos ao organismo e a mente,sendo o processo avassalador.
Quem se exige muito não consegue usufruir a vida e cai na teia da insatisfação permanente. Parece que a vida acontece no piloto automático.
Quem não perdoa fica preso no acontecimento.
Cada vez que se lembra do fato ocorrido ou que deveria, mas não ocorreu à pessoa revive sentimentos de raiva, ocasionando momentos de desprazer. É como se travasse a vida, não permitindo que novos e satisfatórios eventos aconteçam.
As pessoas que passam pela vida e não perdoam, vivem de passado.
Quem não deseja no intimo ter uma relação harmônica com as pessoas de sua convivência?
Para isso é fundamental perceber o bem que alcançamos quando estamos dispostos a perdoar.
O organismo agradece e trabalha satisfatoriamente, as doenças se afastam, o sono melhora e bons momentos acontecem.
Perdoar é desistir...
Desistir de colocar os outros e você mesmo em formatos de perfeição.
Fazendo uma análise íntima se pergunte: Será quem eu preciso perdoar?
São casos isolados pessoas que não tem ninguém para perdoar.
E lembre-se não há fórmula mágica, o exercício é diário e constante.
A vida a todo instante nos leva a compreender pessoas, situações e a nós mesmos.

Perdão é remissão de pena; absolvição; indulto; desculpa; é um processo mental ou espiritual de cessar o ressentimento ou raiva contra outra pessoa, decorrentes de uma ofensa recebida, diferença ou erro, ou cessar a exigência de castigo ou restituição. A verdade é que as pessoas podem perdoar genuinamente, embora seja preciso tempo para esquecer e curar sentimentos negativos.
Para o pastor Josué Gonçalves, terapeuta familiar e autor de muitos livros, entre eles "104 Erros que um casal não pode cometer", perdão é graça, é oferecer aquilo que o outro não merece.

Perdão é amor incondicional. Perdão é a expressão maior da misericórdia de Deus. Dessa forma, é importante que as pessoas se perdoem e sejam tolerantes.

Se uma pessoa busca convivência, relacionamento e integração, o ato do perdão é indispensável. Do ponto de vista da maturidade espiritual, ao interagir, as pessoas precisam ser tolerantes, a tal ponto de serem levadas "as cargas uns dos outros, e assim cumprirdes a lei de Cristo" (Gl. 6,2). É assim que pensa o pastor Paulo Roberto Barbosa de Almeida, professor de Teologia Patrística e Contemporânea, mestre em Teologia Pastoral e bacharel em Teologia, vice-presidente da Igreja Assembléia de Deus-Missão Coreana em Jardim Camburi. Ele ressalta que não há limites para perdoar. Em nenhum lugar das Escrituras existe essa limitação, embora conceitos e ideologias da pós-modernidade estabeleçam ‘limites' próprios para o exercício do perdão.
Seguindo o mesmo raciocínio, o pastor Gonçalves salienta que, na graça, não existe contabilidade. Quando Pedro perguntou a Jesus se ele deveria perdoar até 7 vezes, Ele respondeu: "Não é até sete, mas até 70 vezes sete, ou seja, 490 vezes, e por dia". (Mt.18). O perdão incondicional não tem limite.

Tudo na vida depende de relacionamento, e não há possibilidade de se construir relacionamentos sadios se não houver nas pessoas a predisposição para perdoar. O pastor Gonçalves ressalta que o perdão mantém os canais de comunicação abertos, liberta os cristãos de tudo aquilo que possa impedir sua comunhão. "O perdão é a possibilidade da convivência. Dá a flexibilidade necessária para a construção do nosso projeto de vida em família", destaca.

Entre os benefícios do perdão, o pastor Paulo Roberto destaca que o principal é encarar o problema de frente, com transparência e sinceridade. "A cura será um fato quando houver esse confronto, pois a Escritura determina ‘confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados...' (Tg. 5,16)", cita. Compreendendo essa regra básica do cristianismo, a pessoa também deixará de experimentar a culpa, a depressão e a sensação de distanciamento de Deus. E ainda aprenderá a reconhecer fraquezas para controlar melhor as reações.

Mas por que é tão difícil perdoar? "É difícil perdoar devido à nossa própria humanidade", explica o pastor Paulo Roberto.

Gary Preston, autor do livro "O caráter aperfeiçoado pelos conflitos", assinala que "quando a ofensa é severa, o processo de perdão pode ser igualmente duro". O ato de perdoar é uma coisa, mas a arte de esquecer é outra. Requer tempo. Trata-se de um processo humano que pode ser facilitado pela oração, pela reflexão e pelo aconselhamento. Com certeza, à semelhança de Deus, as pessoas podem se perdoar imediatamente, mas apenas Deus é capaz de esquecer imediatamente.

"Perdoar é difícil porque exige tudo aquilo que não é compatível com a velha natureza, ou seja, renúncia, humildade, sacrifício, paciência, tolerância, aceitação", acrescenta o pastor Gonçalves.

O que pode acontecer quando não se perdoa:
•Quem não perdoa não tem paz (Mt 18:34)
•Quem não perdoa acaba desenvolvendo um câncer na alma (Ef 4:31,32)
•Quem não perdoa se coloca debaixo da ira de Deus (Mt 18:34)
•Quem não perdoa destrói a ponte que um dia precisará usar para atravessar do outro lado (Mt 6:12)
•Quem não perdoa se torna um prisioneiro do passado (Is 43:18,19)
•Quem não perdoa se torna refém dos sentimentos negativos (Mt 5:23,24)
•Quem não perdoa dá legalidade para satanás agir em sua vida (Ef 4:27)

Falta de perdão separa famílias
Quando se trata de famílias, a falta de perdão é um problema mais complexo. Há pesquisas que mostram que a maioria dos divórcios ocorre por razões ligadas ao espírito não perdoador. Quem não consegue viver com as diferenças, ou não aprendeu a ceder em benefício da paz conjugal, dificilmente conseguirá permanecer casado com quem quer que seja.

"O amor nunca acaba, ele fica enterrado debaixo de uma pilha de ressentimentos", sustenta o pastor Gonçalves. Isto significa dizer que quando se perdoa os sentimentos negativos vão desaparecendo e o amor floresce novamente. O perdão é a amnésia do amor, a faxina do coração e a cura para as memórias amargas. Quem aprendeu a perdoar preserva o seu casamento e mantém a saúde da alma e do relacionamento.

Outra questão muito delicada é a falta de perdão entre pais e filhos. Mas qual a importância de pais perdoarem filhos e filhos perdoarem pais? A resposta é: toda. Consiste na restauração da imagem bíblica da família. O perdão é a manifestação da graça na sua essência, e tem o poder de restaurar relacionamentos. A última mensagem profética do Antigo Testamento fala da tal importância do perdão entre pais e filhos: "Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição" (Ml. 4,6).

Quando os filhos rompem com os pais por falta de perdão, a Bíblia diz que eles se colocam debaixo de maldição e encurtam o seu tempo de vida (Ef. 6). Pais e filhos são humanos, cheios de limitações e defeitos, e só existe uma forma de caminharem juntos saudavelmente: perdoando uns aos outros, como Deus em Cristo perdoou.

Não existe possibilidade de reconstrução daquilo que foi destruído no relacionamento se não for por meio do perdão. O pastor Gonçalves conta que, durante seu ministério, tem visto muitas famílias se reconciliando a partir da compreensão e prática do perdão. Uma das razões por que o diabo faz de tudo para uma pessoa não liberar perdão é porque ele sabe que o perdão abre a porta para grandes milagres.

Igreja, a família dos sonhos de Deus
À luz das Escrituras, sabe-se que Deus sempre buscará novas oportunidades para tornar real aquilo que Ele sempre planejou, destinou em Sua sabedoria para cada um de Seus filhos: formar a família ideal. Da mesma forma, essa regra vale para as igrejas, que querem receber perdão de Deus, mas têm dificuldade em perdoar. "Isso é antagônico, porque a comunidade cristã não tem finalidade em si mesma, mas é sinal e instrumento do Reino em função e a serviço do mundo através de suas atitudes de saúde", avalia o pastor Paulo Roberto.
Para ele, a principal atitude de saúde na igreja é o perdão. Do contrário, ela deixa de ser igreja, e o ‘cristão' perderá a possibilidade de ter a sua vida transformada por Deus e de ser um verdadeiro portador de saúde e consolo para os outros.
A falta de perdão, muitas vezes, leva à divisão da igreja. Essa é uma questão que envolve falta de tolerância? Como mudar esse quadro? Na avaliação do pastor Paulo Roberto, isso é muito sério. "Eu não estou habilitado para emitir juízo quanto às várias divisões que constantemente presenciamos, porém, à luz da Palavra de Deus, ‘divisão' ou ‘facção' é um traço negativo", explica.
Do ponto de vista de Paulo Roberto, é necessário mudar o discurso do púlpito, muitas vezes, centralizador, monopolizador, oligárquico, manipulador, autoritarista e dramatizador. "Existem situações em que se utiliza o púlpito muito mais para ‘ferir' alguém do que como um meio prescrito por Deus para salvar, santificar, fortalecer e produzir fé nos que foram escolhidos por Deus (Rm. 10,4)", destaca.

Josué Gonçalves é categórico quando fala sobre a divisão de igrejas por falta de perdão. "Posso afirmar, sem medo de errar, que toda divisão é o resultado de um ou mais corações que não se abriram para liberar perdão. O perdão desativa o mecanismo de violência que existe dentro e fora de nós", diz. Para mudar isso, é necessário que o Espírito Santo faça com que as pessoas compreendam o que a Bíblia diz sobre "perdoar". Como testemunho vivo, o pastor Gonçalves conta que Deus já permitiu que ele passasse pela calúnia, ingratidão, agressão verbal, ofensas das mais diversas, segundo ele, tudo para fazê-lo crescer na arte de perdoar.

"Quando a igreja entender melhor a doutrina do perdão, teremos mais saúde em nossos relacionamentos", ressalta.

A cura das emoções

O reverendo Hernandes Dias Lopes, da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, autor de diversas obras, entre elas "Perdão - A Cura das Emoções", destaca que perdão é uma questão de sobrevivência. "Não há como um ser humano ter uma vida saudável sem que perdoe", diz.

Segundo o reverendo, muitas enfermidades deixariam de existir se as pessoas aprendessem a perdoar, pois quem não perdoa é escravo de seus próprios sentimentos, não é livre e nem tem paz. "Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente", alerta.

Hernandes Lopes fala que para se perdoar é preciso seguir os princípios do perdão, isto é, ter cautela, confrontar o ofendido e se arrepender diante dele. Segundo o reverendo, a cautela é necessária para que as pessoas não sejam injustas e duras. Já a confrontação é essencial para que não haja fuga do problema. "Perdoar não é deixar no molho do esquecimento as pendências e os problemas não resolvidos. O perdão exige confronto", explica.

É falsa a idéia de que o tempo vai resolver tudo. Sobre o assunto, o reverendo diz que o tempo cauteriza a consciência em vez de despertá-la, adia o inadiável e deixa para depois o que carece de cura imediata.

A segunda idéia falsa, de acordo com o reverendo, é de que o silêncio é a voz do perdão. "O silêncio é a voz da amargura e não do perdão. O silêncio apenas cobre de cinzas a ferida aberta, mas não provoca uma cura terapêutica. O silêncio sufoca a alma, amargura o coração e provoca distúrbios profundos na vida emocional. Cobrir uma ferida contaminada é um risco fatal", previne.
Outro ponto crucial para que haja o verdadeiro perdão é o arrependimento, que acontece quando a pessoa que praticou o pecado reconhece que errou. "Arrependimento é mudança de emoção e de atitude", destaca.
O pecado perdoado deve ser lançado no mar do esquecimento, sem expor a pessoa perdoada ao ridículo, tirando os trapos do passado das pessoas que ofenderam, cobrindo-as com vestes novas do perdão.

Praticando o perdão
O reverendo Hernandes Dias Lopes, da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, viveu o drama mais doloroso de sua vida no dia 2 de agosto de 1982, quando pastoreava a Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista, em São Paulo. Era seu primeiro ano no ministério. "Meu coração estava cheio de sonhos bonitos, e minha alma, em festa. Minha vida parecia um jardim com grinaldas de flores. Eu estava muito entusiasmado", conta.
Em meio ao crescimento de sua igreja, quando tudo parecia estar dando certo, Hernandes foi confrontado com uma realidade avassaladora. Chegava em casa, à noite, quando recebeu um telefonema informando que seu irmão Hermes, de 27 anos, acabara de ser assassinado com 11 golpes de faca pelo primo da sua esposa.
Após ficar por um longo tempo em estado de choque, o pastor Hernandes conta que recobrou suas forças, e a primeira palavra que Deus colocou em seus lábios foi: "Eu perdôo o assassino do meu irmão". "Eu não tinha outra opção, perdoava ou adoecia. O perdão era o único remédio capaz de libertar a minha alma do cárcere da tristeza e sarar aquela profunda ferida", testemunha.
Perder o irmão em agosto de 1982, e o pai, quatro meses depois, vitimado por câncer, foi um grande baque para o pastor. Embora a dor da perda tenha sido imensa, o poder do perdão foi maior. "O perdão é libertador, cura da alma e é o bálsamo do céu. Ele é o remédio necessário que tonifica o coração para caminharmos pela vida sem amargura", revela.

Se guardar mágoas e alimentar sentimentos de vingança permitem ilusões como a de que somos perfeitos, perdoar leva à libertação

Segundo Maria Helena Matarazzo,

Todos fomos machucados na vida. Todos fomos rejeitados por um amante, traídos por um amigo, passados para trás numa promoção. Apesar de aprendermos que "perdoar é esquecer" ("o que passou, passou"), a maioria de nós acredita que as pessoas que nos feriram devem pagar pela dor que nos causaram; afinal, elas merecem ser castigadas, mesmo que inconscientemente ("nada como um dia atrás do outro" ou "um dia a pessoa vai ver o que perdeu").

Não se trata de esquecer a maldade alheia ou minimizar o próprio sofrimento. Para ser capaz de um perdão verdadeiro e sadio basta entender que ele traz muito mais benefícios do que o rancor.
Na verdade, temos muito o que aprender com essas experiências. Em primeiro lugar, perdoar não é retaliar, se vingar ou fazer o outro sofrer tanto quanto nos fez sofrer. Mas, por outro lado, perdoar não é esquecer, deixar para trás quilômetros de mágoa, toneladas de ressentimentos ou ainda fechar os olhos e deixar os "bandidos" se darem bem com as trapaças que cometeram.
Quando perdoamos as pessoas que nos machucaram, não estamos dizendo que o que foi feito contra nós não teve importância ("não foi nada") ou não deixou marcas profundas (aquelas a ferro e fogo). Essas perdas foram terríveis e fizeram grande diferença em nossa vida, mas nos ensinaram muitas coisas: tanto a não nos tornarmos vítimas novamente, como não fazermos o mesmo para terceiros.

De fato, algumas pessoas perdoam, outras não, outras estão tentando. Porém, fingir que perdoamos, ranger os dentes, engolir em seco, não é perdoar. Os terapeutas americanos Sidnei e Suzanne Simon, em seu livro Forgiveness, explicam o que significa perdoar e não perdoar. Começam dizendo que não perdoar tem certas vantagens porque nos dá algumas ilusões.
A primeira, e mais comum, é a ilusão de que, se aquele problema não tivesse acontecido, nossa vida seria perfeita. Só bastaria que as coisas tivessem sido diferentes e não tivéssemos sido machucados naquela época e pela pessoa que nos machucou; agora, estaríamos "numa boa". Mas, como aquilo aconteceu, temos a explicação ideal, a desculpa perfeita para estarmos e ficarmos na pior ( a responsabilidade da nossa infelicidade é sempre do "outro").

Em segundo lugar, não perdoar nos dá ilusão de sermos perfeitos. Os maus, os bandidos, são os que nos machucaram, e se nós os perdoarmos nunca mais poderemos dividir o mundo ao meio, todos os mocinhos de um lado e todos os bandidos de outro. Vamos ter de aceitar que as pessoas são "híbridas", potencialmente boas e más. Tanto os outros quanto nós mesmos.
Não perdoar também nos dá a ilusão de força, de poder ("agora eu controlo"). Não perdoar ajuda a compensar a sensação de falta de poder que nós sentimos quando fomos machucados. De fato, se trancarmos na prisão de nossa mente essas pessoas que nos machucaram, vamos nos sentir onipotentes ("agora é minha vez") pela força do nosso ódio silencioso.

E, por último, não perdoar nos dá a ilusão de que não seremos machucados outra vez. Mantendo a dor viva, os olhos bem abertos para qualquer perigo em potencial, reduzimos o risco de voltamos a sofrer rejeição, traição ou qualquer outra forma de ferimento.
Mas será que os benefícios de não perdoar valem o preço que pagamos por armazenar essas mágoas, remoer esses sentimentos e nos agarrarmos com unhas e dentes à dor do passado? Será que vale a pena continuarmos alimentando a raiva, revidando com palavras ou com silêncio e assim nunca sentirmos o verdadeiro prazer de viver?

O perdão se torna uma possibilidade quando a dor do passado para de reger nossas vidas; quando não precisarmos mais do ódio e do ressentimento como desculpas para obter menos da vida do que queremos ou merecemos. Perdoar é chegar à conclusão de que já odiamos bastante e não queremos odiar mais; portanto, perdoar é usar a energia da vida, não para reprimir esses sentimentos, mas para quebrar o ciclo da dor se voltando para o futuro e não machucando outras pessoas como fomos machucados.
Há quem diga que perdoar é escolher entre se vingar e se aproximar, entre ser vítima ou sobrevivente. Na realidade, perdoar é um processo que vem de dentro. É uma libertação. Uma aceitação. Perdoar é aceitar que a coisas ruins podem e de fato acontecem na vida das pessoas, e que as pessoas mesmo quando amam, se machucam. Perdoar é um sentimento de bem-estar, é reconhecer que existe algo melhor que queremos fazer com a energia da vida e fazê-lo.

O perdão é o esquecimento completo e absoluto das ofensas, vem do coração e é sincero, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes tampouco é motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras.

9 comentários:

  1. Como afirma MÔNICA VALENTIM,
    "Bem-aventurado[feliz] aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto .
    Bem-aventurado[feliz] o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e cujo espírito não há engano. Enquanto me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão e estio. Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri, dizia eu : Confessarei ao Senhor as minhas transgressões, e tu perdoaste a maldade do meu pecado" ( Sl 32: 1-5).

    O que consiste a plena felicidade? Seria a estabilidade financeira? Logicamente que ajudaria muito. Ou talvez um velho sonho concretizado? Viver ao lado de quem se ama? Todas essas coisas contribuem para o nosso bem-estar, mas por si só não têm o poder de trazer a felicidade completa e duradoura.

    Então, quem seriam as únicas pessoas capazes de gozar a plena felicidade?

    O que dificulta, ou confunde, nossa compreensão sobre o conceito de felicidade é querer equipará-la ao conceito corrente da sociedade, que aponta para todos os desejos e necessidades satisfeitos, incluindo conquistas e ausência de conflitos.

    Segundo a Palavra de Deus, as únicas pessoas realmente felizes são aquelas que receberam de Deus o perdão dos seus pecados, e por isso, a culpa das suas transgressões não pesa mais sobre seus corações e mentes, e a sua consciência não as perturba...

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  2. ...O salmista Davi descreve de três maneiras o perdão divino:

    Deus perdoa o pecador.
    Ele cobre o pecado, isto é, põe-no fora da vista.
    O pecado não é imputado, ou seja, a culpa não é atribuída.
    A ocultação do pecado e a culpa conseqüente dela, tem o poder de corroer as estruturas da alma do homem. O sentimento de culpa poderá levar até ao aparecimento de doenças psicossomáticas e depressão.

    "Enquanto me calei, envelheceram os meus ossos [estruturas] pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim [sentimento de culpa]; o meu humor tornou-se em sequidão e estio [depressão]" ( Sl 32: 3,4).

    Quando Davi descreve, ainda que de forma alegórica, o envelhecimento dos seus ossos devido o silêncio de seu pecado, ele descreve a agonia e a penalidade que o pecado oculto produz. Ao ocultar o seu pecado e não o reconhecer diante de Deus, perdeu as coisas mais valiosas da vida: a saúde, a paz de espírito, a felicidade e o favor de Deus. Ao invés destas coisas, experimentou a culpa e o tormento interior, como castigo divino.

    O pecado é algo tão sério na vida do crente que deveria ser prioridade nas questões a serem resolvidas. Ele nos afasta de Deus.

    "Eis que a mão do Senhor não está encolhida para que não possa salvar; nem o seu ouvido agravado, para não ouvir. Mas as vossas iniqüidades fazem divisão entre vós e vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça" ( Is 59: 1, 2).

    Podemos perceber que o pecado e a iniqüidade na vida do crente levantam um muro entre ele e Deus. Por causa dessa barreira, tal crente já não desfruta do favor de Deus, nem de proteção, socorro ou livramento. Também as orações não serão respondidas.

    Muitos atribuem prosperidade apenas às questões financeiras. O conceito bíblico para prosperidade é muito mais abrangente. Estão incluídos capacidade de ser fecundo, plenitude de bênçãos materiais e espirituais, unção, progresso e felicidade.

    Quem procura negar seu pecado ou mantê-lo encoberto ao invés de reconhecer, confessar e abandonar esse pecado, não progredirá espiritualmente. Quando o homem o encobre, recusando-se a confessá-lo e deixá-lo, fica impedido por Deus de ser próspero. É uma lei espiritual.

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  3. "O que encobre suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia" (Pv 28: 13).

    A felicidade prometida àqueles que confessam e deixam suas transgressões é real. Uma consciência limpa e sem acusações é primordial para o bem-estar físico, emocional e espiritual. Precisamos desse equilíbrio para vivermos com qualidade, livres da angústia e do medo.

    Um coração liberto da culpa do pecado tem o poder de tornar saudável todo o corpo. Muitas doenças emocionais são originadas por pecados não confessados. Com o tempo, o coração torna-se cauterizado por tantas cicatrizes, e já não ouve mais a voz do Espírito Santo, O Consolador. Vive-se cada vez mais distante do Pai. Surge a amargura, ódio (até contra Deus), ressentimento, até sobrar pouca humanidade na pessoa. Esta torna-se como um animal.

    Precisamos viver em comunhão constante com nosso Pai Celestial, que nos ama e por Sua infinita misericórdia nos perdoa graciosamente e remove nossa culpa, mediante nosso arrependimento e coração sincero.

    O Senhor está sempre pronto a perdoar. Nós, as vezes, é que comparamos o nosso Deus com o homem imperfeito, que tenta impor condições para o perdão, tornando-o circunstancial. Somos perdoados por Sua Graça e Misericórdia, não por merecimento. Mediante a Fé no sacrifício de Jesus recebemos não apenas o perdão, mas também a reconciliação com Deus.

    A plena felicidade está mais ligada a uma vida de retidão e obediência a Deus do que propriamente a conquistas, bens materiais ou posição social. A consciência tranqüila diante de Deus, e ter a certeza das orações respondidas são imensamente maiores do que todo o resto.

    Porque continuar se escondendo e se enganando, fingindo que nada está acontecendo? O perdão traz a verdadeira felicidade. Você quer ficar de fora? A Palavra de Deus tem uma promessa maravilhosa para aqueles que se arrependem e confessam os seus pecados a Deus:

    "Se confessarmos os nossos pecados ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça" ( 1 Jo 1: 9).

    Parabéns pelo excelente texo. Muito didático e com fácil compreensão. Uma escolha fantástica !

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  4. O perdão é necessário onde houve uma ofensa. Ofensa é uma outra palavra para pecado. O primeiro pecado praticado pelo homem foi contra Deus. Tal pecado provocou a quebra da comunhão com o Criador e a culpa do pecado tornou o homem fugitivo da Sua presença.
    A natureza humana, conforme criada por Deus, para estar em paz e ser feliz, tem necessidade de relacionar-se bem com Deus, consigo e com os seus semelhantes.

    Relacionamento com Deus

    O mais elevado e profundo relacionamento é com Deus. Não há paz real no coração sem comunhão com Ele. Quando o relacionamento neste nível é quebrado, os demais são negativamente afetados. Portanto, a primeira necessidade de perdão é o de Deus, até porque todo pecado, em última instância, é contra Deus, como tão bem expressou Davi:

    “Contra Ti, contra Ti, somente pequei e fiz o que é mal perante os Teus olhos” (Sl 51).

    Tudo o que nós fazemos contrário à natureza de Deus é um pecado contra Ele. Não importa qual seja o nível da nossa transgressão, acima de tudo, é um pecado contra Deus, porque é Ele quem estabelece o padrão da nossa conduta. Portanto, quando agimos contrário à conduta moral que Deus estabeleceu para a criação, nosso pecado não é apenas contra a criação, mas contra Ele mesmo. Ele é o legislador e juiz.

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  5. O homem, em sua natureza pecadora, tem dificuldade de perdoar. Mas o perdão de Deus é parte de Sua natureza amorosa e compassiva em seu trato com a criação. De todas as religiões do mundo, somente o Cristianismo oferece completo perdão. Não existe nenhum livro religioso neste mundo, a não ser a Bíblia, que ensina que Deus perdoa completamente o pecado. Só ela nos revela um Deus infinito, pessoal, que tem um plano pelo qual Ele perdoa inteiramente os pecados de todo aquele que se arrepende e crê em Jesus Cristo. E este Deus não somente perdoa pecados; Ele os perdoa para sempre. Só a Bíblia fala de um Deus que lida com o pecado, cancela o pecado, remove o pecado, e não lança em rosto o passado. Nosso Deus é perdoador. Glórias ao seu santo Nome.
    O perdão de Deus emana do Seu próprio ser. Deus é amor e o perdão é uma expressão prática desse amor. Nosso pecado nos separa de Sua presença e isso entristece o Seu coração de Pai. Daí porque tomou a iniciativa de vir ao nosso encontro, na pessoa de Jesus, para abrir o caminho da reconciliação. Porque nos ama, nos perdoa.

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  6. O perdão de Deus é oferecido em Cristo. Deus é amor, mas é também justiça. O Deus justo teria que julgar o pecado. Mas o Deus, que é amor, proveu o réu, Jesus, que se fez pecado por nós, para que a justiça de Deus fosse satisfeita e nos fosse imputada a Sua justiça. O perdão, portanto, não é Deus minimizando o nosso pecado e passando por cima dele. Não. O pecado é uma terrível ofensa. O perdão só se torna possível porque Jesus, que nunca pecou, tornou-se nosso pecado, assumiu a nossa culpa e pagou a sua penalidade.

    O perdão de Deus oferecido em Cristo não é automático. Ele se tornou disponível, mas cada um terá que percorrer o mesmo caminho em direção à cruz e:

    § Reconhecer que pecou contra Deus. Isto quer dizer admitir que é pecado o que Deus diz, através da Bíblia, que é pecado.

    § Arrepender-se do pecado, o que envolve duas coisas: Uma profunda tristeza por haver ofendido a santidade do Criador e uma determinação de mudar de atitude e comportamento em relação ao pecado, alinhando-se com os padrões Divinos.

    § Pedir perdão a Deus pela falta cometida, na base do sacrifício de Jesus na cruz, segundo a Palavra: “Se confessarmos os nosos pecados Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1 Jo 1:8).
    Aceitar o perdão de Deus em Cristo e rejeitar todo sentimento de culpa e condenação, consciente de que o pecado arrependido e confessado é dívida paga. Nada consta.

    O perdão de Deus é completo e anula o passado, como se ele jamais houvera existido. Sua promessa é clara: “Também de nenhum modo me lembrarei dos teus pecados, diz o Senhor, e das tuas iniquidades, para sempre não me lembrarei” (Hb 10:17). O arrependido pode declarar: “Porque lançaste para trás de Ti todos os meus pecados” (Is 38:17b). Esse Deus para quem passado e futuro são um eterno presente, lança para trás de si as nossas transgressões, as nossas iniqüidades. Significa que Ele é esquecido? Não! O perdão é uma decisão da vontade, é pagamento de uma dívida, é o cancelamento de uma dívida. Quando Deus diz: “Não me lembrarei mais” Ele quer dizer: Não levarei em conta teu pecado. Ele não afetará mais o nosso relacionamento.

    § “Tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar” (Mq 7:19)

    § “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro” (Is 43:25)

    § “Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sl 103:12)

    O perdão de Deus é o padrão para o nosso próprio perdão. Perdoar não é parte da natureza pecaminosa do homem, mas “se alguém está em Cristo é uma nova criação” (2 Co 5:17). O amor de Deus é derramado em seu coração (Rm 5:5) e o fruto do Espírito – AMOR – é uma expressão de que verdadeiramente houve uma mudança de natureza (Gl 5:22). Amar com o amor de Cristo e perdoar com seu perdão se tornam marcas de quem se tornou filho de Deus pelo novo nascimento em Cristo.

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  7. OS MALES DA FALTA DE PERDÃO

    A falta de perdão é a incapacidade de desculpar falhas, devido a um espírito amargo, ultra-sensível, indisposto, melindroso, zangado. Seus males são muitos. Enumeramos alguns.

    Quem não perdoa não é perdoado

    Jesus foi muito categórico nas suas exigências de discipulado. Em matéria de perdão Ele não deixa sombra de dúvidas. Quem não perdoa o próximo não é perdoado por Deus e o nível do perdão ao semelhante é o nível do Seu perdão a nós. A pessoa não libera os outros e, conseqüentemente, não recebe a liberação de Deus (perdão).

    “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas” (Mt 6:14,15).

    “Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai que está no céu, vos perdoe as vossas ofensas. [Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está no céu, não vos perdoará as vossas ofensas.] (Mar 11:25,26).

    Quem mantém o relacionamento quebrado com o próximo está fora da comunhão com Deus e sob condenação

    Quem conserva o próximo preso pela falta de perdão se torna prisioneiro da culpa e da condenação. Aquele que não perdoa sabe estar pecando contra os padrões Divinos e, por esta razão, se sente culpado e condenado. Quem peca contra a verdade é por ela julgado.

    “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu” (1 Jo 4:20).

    Deus nem sequer aceita a oferta de alguém com relacionamentos quebrados. Jesus declarou: “Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta” (Mt 5:23,24).

    Nunca podemos esquecer que a cruz tem duas hastes: uma vertical e outra horizontal. Cristo veio reconciliar os homens com Deus (sentido vertical) e os homens com seus semelhantes (sentido horizontal). Quando a reconciliação é feita com Deus, os braços são estendidos para a reconciliação com os irmãos.

    A falta de perdão alimenta a raiz de orgulho inerente à natureza adâmica

    São as raízes de orgulho que impedem o homem de perdoar. O eu é ferido. A pessoa atribui a si mesma uma importância exagerada e porque se acha injustiçada e cheia de razões, não perdoa. Ela é a vítima. O orgulho apega-se a um falso senso de justiça quando o eu deve ser vindicado. O orgulho exige a vingança em vez do perdão. O não perdoador se esquece de que se Jesus, que é Deus, perdoou os Seus algozes, que eram Suas criaturas, nós, pecadores, não temos desculpas para prender nosso semelhante pela falta de perdão.

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  8. O orgulho impede a pessoa de perdoar até a si mesma, por ter quebrado a auto-imagem que o orgulho construiu. Isso resulta em cegueira e engano, que não a deixa ver que todo homem é sujeito à queda. Ela falha em ver-se como realmente é e em ver os outros como eles são. Todos nós podemos errar e cair, pelo que temos razões para o arrependimento, a confissão de culpas, o perdão e o reparo. Mas para assumirmos tal atitude, o orgulho terá de ser removido, para dar lugar à humildade.

    A falta de perdão lança a pessoa em trevas e a torna homicida espiritual

    “Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há tropeço. Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos. (1 Jo 2:0-11).

    “Todo o que odeia a seu irmão é homicida; e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (1 Jo 3:15).

    A falta de perdão lança a alma no mundo da amargura e a afasta da graça de Deus

    “Atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados” (Hb 2:15).

    A amargura é uma das piores consequências da falta de perdão porque, ainda que a pessoa corra atrás da graça de Deus, a graça foge dela. Além disso, é como uma doença contagiosa. Contamina quem está por perto e inferniza os relacionamentos.

    O que é amargura? É o resultado de um ressentimento convertido em uma constante dor, que, por sua vez gera mágoa e até ódio e este provoca um mal estar tão grande, que gera aflição de alma e afeta toda a vida do amargurado.

    Sintomas de uma pessoa amargurada:

    Nunca está contente com coisa alguma;
    Sempre critica a tudo e todos;
    Vê problema em tudo;
    Sempre está emburrada, de cara franzida, cara de poucos amigos;
    Emocionalmente inconstante, um dia está muito bem e no outro de mau horror.
    Cheia de ofensas; facilmente ofende os outros e ainda sai contente por ter ofendido.
    COMO LIDAR COM AS OFENSAS

    Primeiro lide com o seu relacionamento com Deus. Para receber o perdão de Deus há três requisitos:

    Reconheça a ofensa e admitida diante de Deus.
    Assuma o compromisso de não repetir a ofensa.
    Peça perdão a Deus.
    Se a ofensa foi cometida contra outro ser humano, ou contra a sociedade, uma quarta condição é acrescentada:

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  9. Reconheça a ofensa diante daqueles que foram ofendidos e diante de Deus.
    Assuma o compromisso de não repetir a ofensa.
    Faça o que for necessário ser feito para reparar a ofensa (dentro do possível) e peça perdão à pessoa ofendida.
    Peça perdão a Deus.
    Saiba que todos falhamos uns com os outros, mas não temos que aceitar a ofensa.

    “Não há homem que não peque.” Todos os dias a vida nos apresenta oportunidades para que nos ofendamos com alguém:

    Um olhar malicioso;
    Um comentário irônico;
    Uma indireta
    Uma crítica
    Uma bronca pesada
    Uma traição
    Um desprezo...
    Ofensas virão, mas cabe a mim e a você decidir o que fazer com todas as “oportunidades de ofensa” que nos são oferecidas todos os dias. Ao abraçar cada ofensa o mal se instalará em nosso coração e nos afastaremos de Deus e dos homens. Todavia, ao usar cada oportunidade de ofensa para exercitar o amor e o perdão nos tornaremos mais parecidos com Cristo e andaremos mais perto de Deus e dos homens, desfrutando de sua comunhão.

    Cultive algumas atitudes com a graça de Deus:

    Não abrace a ofensa; saiba que você é superior a ela;
    Não gaste tempo analisando a ofensa; ela é lixo e deve ser tratada como tal; é isca de Satanás e você não deve engoli-la;
    Saiba que o inimigo gosta quando abraçamos a ofensa, porque ela nos faz mal;
    Discirna quem realmente está por trás da situação; nossos inimigos são seres espirituais da maldade, que usam quem está perto de nós para nos ofender;
    Não fique monologando acerca da ofensa. Leve cada pensamento cativo à obediência de Cristo;
    Saiba que Deus quer acabar com toda ofensa e limpar a situação com o precioso sangue de Jesus. Entre nós e o ofensor está o sangue do Cordeiro;
    Pare de reivindicar seus direitos: “Eu estou no meu direito!” Leve cada ofensa à cruz, porque ali Jesus conquistou-nos o direito de ser parecidos com Ele, que é cheio de amor perdoador, e não com Satanás, que instila o ódio e a falta de perdão. O perdão é o processo de cessar de sentir ressentimento, indignação ou raiva por causa de uma ofensa percebida, diferença ou erro, ou parar de exigir castigo ou restituição.
    Libere seus ofensores e siga adiante. Existem coisas que só Deus poderá resolver; porque por mais que você se angustie e lute, nada poderá fazer. Há um momento em nossa vida que simplesmente temos que entregar tudo e seguir adiante, deixando que Ele peleje as nossas batalhas. Ele é o Senhor dos Exércitos. Existem coisas na nossa vida que só Deus para mudar. Muitas vezes queremos mudar as pessoas à nossa volta, mas na realidade jamais conseguiremos mudá-las. O caminho da sabedoria nos ensina a simplesmente deixá-las nas mãos de Deus e descansar em paz e amor.
    Por um ato deliberado da vontade perdoe a todos quantos o ofenderam.

    O perdão não é um sentimento. É uma decisão deliberada, em obediência a Cristo, de liberar os que nos ofendem. Portanto,

    Sonde o seu coração e veja se existe falta de perdão. Se sim, peça a Deus perdão por este pecado e o renuncie em Sua presença;
    Se você precisa perdoar alguém, peça ajuda a Deus agora mesmo e comece na presença dEle a liberá-lo.
    Perdoe cada pessoa, citando o seu nome na presença de Deus, dizendo: “Em nome de Jesus eu te perdôo e te abençôo com o amor e o perdão de Deus.”
    Decida deixar a pessoa livre e não volte a pensar ou falar no assunto. Se a memória do incidente retornar, simplemente repita que ama a pessoa e ela está perdoada.
    Caminhe em liberdade, andando em paz com Deus, consigo e com todos os homens, vivendo a recomendação da Palavra de Deus: “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef. 4:31,32).
    FAÇA DO PERDÃO UM ESTILO DE VIDA E VOCÊ SERÁ CADA VEZ MAIS PARECIDO COM CRISTO!
    Valnice Milhomens

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